Já faz algum tempo que Arnaldo Jabor – não que eu morra de amores por ele, muito pelo contrário – numa crônica, disse que o Brasil estava tomando banho. Ele se referia ao trabalho da Polícia Federal no combate à corrupção, que naquela época já vinha tirando o sono de muita gente e tornando público a sujeira onde quer que ela estivesse. Não é a toa que o crime de colarinho branco tem pautado a imprensa com o tal banho que parece nunca terminar. Ao inundar as telas dos noticiários, os corruptos seriam desmascarados e presos. É duro dizer: mas ele tinha razão. Mesmo que a reclusão dos escroques seja branda como um castigo de criança. E nesse caso, assim, não dá pra fazer ninguém se arrepender. Com esse método o sujeito prefere fingir que não sabe o que é politicamente correto. Em casa – pelo menos na maioria delas, creio –, na Igreja e, certamente na escola, a criança aprende desde cedo que “pegar o que é dos outros sem pedir é muito feio... E se pegar tem que devolver...”. É uma pena que muitas dessas, até então, inocentes crianças crescem e por pura conveniência “esquecem” a tão repetida lição. Nem mesmo o respeitadíssimo Batman, super-herói do cinema holywoodiano, com a sua pedagogia de “o crime não compensa”, sedimentou princípios e valores éticos nos já crescidos (perniciosos) arrivistas de plantão. O que terá acontecido? Onde terão falhado os pais, a escola, a Igreja e homem-morcego? Talvez a ascensão da violência urbana e da conseqüente onda de crimes como assalto, furto de veículos, agressões domésticas entre outros, e os intitulados hediondos como seqüestro, latrocínio, estupro, tráfico de pessoas, prostituição de menores etc., tenha mudado a percepção estética do crime. Pode me acusar de pleonasmo, mas, o hediondo assumiu a aura de inestético. O crime hediondo é depravado, imundo, nojento. Entretanto, uma coisa não exclui a outra. É claro que no mundo infantil, bem como no do adulto, continua sendo errado (feio) passar a mão no que é alheio. Contudo, os crimes hediondos são mais do que isso: são pecados. Ferem os preceitos da Igreja – de todas elas. E, embora a corrupção também seja condenada pelos eclesiásticos e o crime divulgado na mídia juntamente com os hediondos, esse já não seja tão mal-afeiçoado. Por isso fico pensando que a feiúra está diretamente associada com a extirpe do criminoso. Comparemos. O criminoso engravatado na maioria das vezes é branco, rico, veste Armani e usa Ralph Lauren. A maioria dos bandidos que cometem o hediondo são pardos, pobres e não consomem as mesmas coisas dos outros correligionários requintados. É só olhar para as características simbólicas de cada crime. O hediondo, normalmente, suscita pânico, terror, derrame de sangue, cativeiros fétidos, atrocidades. Já o de colarinho branco expõe mansões cinematográficas, carros importados de luxo, contas no exterior, aviões a jato, maletas em couro cheias de dinheiro, e o pior: os discursos de defesa dos advogados e o cinismo dos acusados. E o danado é que não dá nada. A impunidade é a certeza maior. Ainda que milhões de pessoas sejam prejudicadas por causa dos desvios de recursos que serviriam para melhorar os serviços públicos em todas as áreas sociais. Tanto para o mais pobre quanto para o mais rico. Independentemente de preconceitos estéticos.
PUBLICADO EM JUNHO DE 2007 NO JORNAL DE IDÉIAS (RECIFE/PE)
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Severino! Corta!
"Diretor... Isto é uma bichona!" Esse é o bordão de Severino, personagem do Programa Zorra Total, da TV Globo. Na telinha até que fica engraçado, mas, não isenta o quadro humorístico de ser um endosso ao preconceito sexual. Pois o enredo do quadro se limita a acusar de bicha quem quer que entre em cena. E lá está, aos sábados, o ator Paulo Silvino cumprindo o seu papel de operário da dramaturgia e de colaborador na perpetuação da cultura antigay. Por isso se torna nocivo. Porque, de alguma maneira termina, senão por arranhar, ao menos desmoralizar os pilares que regem os direitos dos cidadãos que vivem numa democracia. Na verdade opção sexual é um direito humano. Condenado, sim, pelos preconceituosos de carteirinha e pelos desígnios da cartilha eclesiástica. Está escrito! Faz parte dos sei lá quantos mandamentos da Igreja Católica. Li, numa cartilha de preparação para o sacramento da crisma que, ter opção pelo mesmo sexo é um dos pecados que bradam ao céu. É atentar contra a natureza sexual. Coloca o gay junto ao homicida voluntário, aos que oprimem os pobres, órfãos e viúvas e aos que negam o justo salário aos que trabalham. Penso que é no mínimo um exagero, pra não dizer um absurdo. Entretanto, a Igreja ignora a Carta dos Direitos Humanos. Está visceralmente ligada a critérios medievais e convenientes a si. E parece se orgulhar disso, quando se vê que ela adota no discurso tamanha aversão. Fico imaginando qual seria o motivo para tanta repulsa. O que será que tanto incomoda os dirigentes da maior religião existente? Só porque os gays disputam o mercado de trabalho com os heterossexuais? Ou seriam o desejo e a coragem escancarada que esses últimos têm de gritar aos quatro cantos do planeta: somos gays!? O que há de tão errado nisso? Não seria mais errado usar o nome de Jesus para discriminar qualquer grupo que seja? Existe algum mal em soltar a franga em passeata? Embora não seja a minha opção, não vejo problema algum em a comunidade gay se expressar. Isso não fere a moral a meu ver. Existem, sim, outras coisas que, de fato, ferem todos os princípios éticos e morais. A começar pela farra promovida com o dinheiro público, a qual são responsáveis os que são eleitos para gerir o país – a maioria escroques. O que o despótico, Hugo Chávez está fazendo ao acabar com a liberdade de expressão e de imprensa na Venezuela é mais imoral ainda. Por essas e outras o Vaticano deveria rever os conceitos de sexualidade. Ou melhor, quem sabe, deixar o tema sexo pra quem faz sexo. Já que eles são tão castos, presume-se. Mas, e os escândalos sobre homossexualidade, inclusive envolvendo pedofilia a que padres mundo afora são acusados e respondem a processos? Então, se os gays atentam contra a natureza, o que estariam fazendo esses sacerdotes? Portanto, sugiro que se reflita e se discuta com atenção e respeito assuntos como preconceito, intolerância, racismo, xenofobia e tantos outros que fazem do homem – como diz Nietsche em a Genealogia da Moral – uma besta. Talvez se consiga reduzir uma série de injustiças não só contra os gays. Lembremos do que se viu na Rússia, há poucos dias através da imprensa internacional. Grupos de neonazistas e de ortodoxos católicos agrediram (física e verbalmente) manifestantes gays que reivindicavam o direito de expressar publicamente a opção. E ainda foram presos pela polícia, que nada fez contra os agressores. Ou seja, não é uma questão de fazer apologia à comunidade gay, é simplesmente uma questão de se respeitar, primeiro as escolhas alheias e, num segundo momento, as Leis que deveriam assegurar esse direito entre outros. Sem contar que – como defendem teóricos como Harvey e Lyotard –, vivemos na pós-modernidade. Na qual todos os estereótipos e suas multiplicidades de linguagem devem ser aceitos como manifestação de um imenso puzzle cultural. Uma verdadeira coabitação de culturas, a qual pressupõe Wolton. E vale ressaltar que, de preferência, usando sempre a camisinha. Mesmo que Bento XVI diga que é coisa do diabo.
PUBLICADO EM 2007 NO JORNAL IDÉIAS
PUBLICADO EM 2007 NO JORNAL IDÉIAS
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intolerância e racismo,
Preconceito
Ministério da libido
Brasileiro é mesmo um sujeito sensual. Desde a época de “Pedrinho”, o imperador que deixara os (poucos) cabelos de D. João VI em pé, a coisa por aqui já era resolvida, muitas vezes, lá dentro da senzala. No aconchego das entrecoxas rijas de alguma escrava. Não existe pecado do lado de baixo do Equador, já dizia uma música interpretada na voz de Ney Matogrosso. Outro representante da sexualidade à flor da pele. Ora, temos sangue latino.
Adoramos um bumbum desnudo na praia, mesmo que a igreja insista em dizer que tudo é pecado. Então, quando vi a ministra do turismo, Marta Suplicy, dizer na televisão que o que se podia fazer em relação ao caos nos aeroportos, seria relaxar e gozar: tive a certeza de que somos de fato sexuais. Embora as notícias veiculadas na imprensa mostrem a nossa (quase) total impotência diante dos acontecimentos, a gente sempre dá um jeitinho. Não desistimos nunca, lembra? No entanto, tentar relaxar e chegar ao orgasmo sem ter o menor estímulo é, no mínimo covardia. Como poderemos gozar enquanto o dinheiro público vai sendo utilizado de maneira privada? Como conseguiremos, sequer, um gemido de prazer, ao assistirmos todos os dias na tevê a uma enxurrada de canalhas sendo desmascarados, presos e logo após soltos para gozarem da nossa cara? Como sentiremos aquele arrepiozinho de um cheiro no cangote, se apenas se consegue sentir cheiro de lama – que não sei quem passou a usar o eufemismo de pizza? Como tirar aquele sarrinho tão salutar ao aquecimento das preliminares, se os sujeitos que deveriam cuidar do país só tiram sarro de nós? Enchendo as contas bancárias no exterior enquanto nós tentamos nos livrar das garras do leão – que também é um grande gozador chegando a dar dezenas de ejaculações num único ato. É verdade!
Não posso deixar de mencionar as estradas brasileiras, que são importantíssimas para o escoamento da produção e, é claro, para o turismo rodoviário. Dá pra gozar com tanto buraco na pista? Nem adianta tentar parar porque não existe acostamento... Ufa! São tantas as mazelas que talvez seja melhor recorrer ao velho Kama Sutra para amenizar a falta de tesão. Não queremos brochar, não é? Por isso fiquei intrigado com a ministra psicóloga. E mais curioso ainda para saber de onde ela busca tanta libido. Certamente, pelo o que ela declarou: em tudo. Até num congestionado e caótico saguão de aeroporto.
Nas “páginas” do over book. Em atraso de aeronave. Cancelamento de compromissos. Desrespeito com o consumidor – ou seria cidadão? Enfim, como estou embarcando (espero conseguir) para Porto Alegre no dia 1º de julho me vi na obrigação de descobrir qual a melhor posição para chegar lá. Não na capital gaúcha, porque estou cético quanto ao embarque. E sim ao tal orgasmo que Marta Suplicy sugere com autoridade de sexóloga que é. Que além de gostoso, ainda nos faria esquecer das bizarrices sociais. Mas, se o tiro sair pela culatra, se nem um orgasmo precoce atingirmos, espero que sobre ao menos um beijo e não um burocrático pedido de desculpas por gozar de nós.
PUBLICADO EM JULHO DE 2007 NO JORNAL DE IDÉIAS (RECIFE/PE)
Adoramos um bumbum desnudo na praia, mesmo que a igreja insista em dizer que tudo é pecado. Então, quando vi a ministra do turismo, Marta Suplicy, dizer na televisão que o que se podia fazer em relação ao caos nos aeroportos, seria relaxar e gozar: tive a certeza de que somos de fato sexuais. Embora as notícias veiculadas na imprensa mostrem a nossa (quase) total impotência diante dos acontecimentos, a gente sempre dá um jeitinho. Não desistimos nunca, lembra? No entanto, tentar relaxar e chegar ao orgasmo sem ter o menor estímulo é, no mínimo covardia. Como poderemos gozar enquanto o dinheiro público vai sendo utilizado de maneira privada? Como conseguiremos, sequer, um gemido de prazer, ao assistirmos todos os dias na tevê a uma enxurrada de canalhas sendo desmascarados, presos e logo após soltos para gozarem da nossa cara? Como sentiremos aquele arrepiozinho de um cheiro no cangote, se apenas se consegue sentir cheiro de lama – que não sei quem passou a usar o eufemismo de pizza? Como tirar aquele sarrinho tão salutar ao aquecimento das preliminares, se os sujeitos que deveriam cuidar do país só tiram sarro de nós? Enchendo as contas bancárias no exterior enquanto nós tentamos nos livrar das garras do leão – que também é um grande gozador chegando a dar dezenas de ejaculações num único ato. É verdade!
Não posso deixar de mencionar as estradas brasileiras, que são importantíssimas para o escoamento da produção e, é claro, para o turismo rodoviário. Dá pra gozar com tanto buraco na pista? Nem adianta tentar parar porque não existe acostamento... Ufa! São tantas as mazelas que talvez seja melhor recorrer ao velho Kama Sutra para amenizar a falta de tesão. Não queremos brochar, não é? Por isso fiquei intrigado com a ministra psicóloga. E mais curioso ainda para saber de onde ela busca tanta libido. Certamente, pelo o que ela declarou: em tudo. Até num congestionado e caótico saguão de aeroporto.
Nas “páginas” do over book. Em atraso de aeronave. Cancelamento de compromissos. Desrespeito com o consumidor – ou seria cidadão? Enfim, como estou embarcando (espero conseguir) para Porto Alegre no dia 1º de julho me vi na obrigação de descobrir qual a melhor posição para chegar lá. Não na capital gaúcha, porque estou cético quanto ao embarque. E sim ao tal orgasmo que Marta Suplicy sugere com autoridade de sexóloga que é. Que além de gostoso, ainda nos faria esquecer das bizarrices sociais. Mas, se o tiro sair pela culatra, se nem um orgasmo precoce atingirmos, espero que sobre ao menos um beijo e não um burocrático pedido de desculpas por gozar de nós.
PUBLICADO EM JULHO DE 2007 NO JORNAL DE IDÉIAS (RECIFE/PE)
O preço das muletas
Desde o princípio da humanidade, as drogas – leia-se substâncias alucinógenas ou que causam alguma alteração no organismo –, já existiam na biodiversidade. Cada uma delas usada em épocas, lugares e situações diferentes. O homem primitivo, por exemplo, usava plantas com efeitos medicinais para curar enfermidades. Índios mascam a folha da coca como estimulante para grandes caminhadas e caçadas (que o diga Evo Morales). Nas guerras, amputações foram feitas usando-se éter como anestésico. Curandeiros fumam ervas, marroquinos e turcos tragam narguilés como culto religioso. Os franciscanos já tomavam tragos homéricos. Médicos americanos, mesmo causando polêmica, já prescrevem maconha para pacientes soropositivos e com câncer, para estimular o apetite e diminuir a ansiedade. Argumentam os especialistas.
Pode ser, às vezes, difícil justificar, mas o uso de alguma espécie de droga sempre fez parte da vida do homem. E nem mencionei a mega-indústria farmacêutica. Com o seu arsenal químico que vai de analgésicos e antiinflamatórios a ansiolíticos e antidepressivos. Faixa preta na embalagem, nome sugestivo, de fácil memorização. São os “doril” e “dormonide” da vida. Receita à mão, farmácia ao alcance, problema resolvido. Tudo lícito. Como é também na indústria de bebidas alcoólicas: Propaganda na tevê, mulheres seminuas, playboys em carrões, gente sarada na praia... A vida é perfeita em todos os slogans. Aprecie com moderação. Não há nenhuma moderação nos índices de acidentes de trânsito e crimes provocados por embriaguez.
Vejamos o exemplo do cigarro: por mais que o usuário saiba dos males provocados pelas mais de 4 mil substâncias químicas contidas nele, e que campanhas contra o tabagismo sejam divulgadas na mídia, milhares, quem sabe milhões de pessoas só no Brasil, fumam um maço todos os dias. Penso que não é só a curiosidade – como muitos defendem – ou a força das substâncias tóxicas que fazem o sujeito experimentar e depois se viciar. E sim outros, grandes motivos pelos quais tantas pessoas consomem inúmeras drogas. Talvez a “espetacularização do vazio” (Jean Baudrillard). Ou o vazio de suas próprias vidas. A coisificação do homem, de sua própria existência. Um niilismo inconsciente. O individualismo exacerbado. A falta de um propósito de continuidade. A inebriante efemeridade das coisas... De fato, o que se nota é a “necessidade” de um grande par de muletas psicológicas. E em busca do “conforto” dado pelas tais muletas é que tantas pessoas, entre outras coisas, burlam receituários para conseguir calmantes e estimulantes, etc. O “prazer” da vida sentido num êxtase... Além de se arriscarem em pontos de vendas de drogas. Assim como as pessoas metralhadas no ano passado na favela João de Barros e que foram notícia de jornal.
É preciso que entendamos o evento a partir de observações antropológicas, históricas, sociais e psicológicas. Afinal, são adultos e idosos – inclusive crianças – consumindo drogas de diferentes tipos lícitos e ilícitos. E ao buscarem o alento em suas muletas, nem se dão conta que estão fomentando a prática do tráfico de entorpecentes e toda uma rede criminosa que envolve traficantes, policiais, políticos, personalidades e a sociedade de um modo geral, como os jovens de classe média, presos na semana passada vendendo drogas numa festa rave em Candeias. Pensa-se que a vida é uma droga: usar tais muletas pode sair bem mais caro do que se imagina. O vigilante e a advogada, então namorada dele, e que segundo as primeiras investigações policiais, na ocasião tentavam comprar maconha na favela João de Barros, não para traficar e sim consumir, bem como os jovens recolhidos ao Cotel, pagaram um preço altíssimo.
Pode ser, às vezes, difícil justificar, mas o uso de alguma espécie de droga sempre fez parte da vida do homem. E nem mencionei a mega-indústria farmacêutica. Com o seu arsenal químico que vai de analgésicos e antiinflamatórios a ansiolíticos e antidepressivos. Faixa preta na embalagem, nome sugestivo, de fácil memorização. São os “doril” e “dormonide” da vida. Receita à mão, farmácia ao alcance, problema resolvido. Tudo lícito. Como é também na indústria de bebidas alcoólicas: Propaganda na tevê, mulheres seminuas, playboys em carrões, gente sarada na praia... A vida é perfeita em todos os slogans. Aprecie com moderação. Não há nenhuma moderação nos índices de acidentes de trânsito e crimes provocados por embriaguez.
Vejamos o exemplo do cigarro: por mais que o usuário saiba dos males provocados pelas mais de 4 mil substâncias químicas contidas nele, e que campanhas contra o tabagismo sejam divulgadas na mídia, milhares, quem sabe milhões de pessoas só no Brasil, fumam um maço todos os dias. Penso que não é só a curiosidade – como muitos defendem – ou a força das substâncias tóxicas que fazem o sujeito experimentar e depois se viciar. E sim outros, grandes motivos pelos quais tantas pessoas consomem inúmeras drogas. Talvez a “espetacularização do vazio” (Jean Baudrillard). Ou o vazio de suas próprias vidas. A coisificação do homem, de sua própria existência. Um niilismo inconsciente. O individualismo exacerbado. A falta de um propósito de continuidade. A inebriante efemeridade das coisas... De fato, o que se nota é a “necessidade” de um grande par de muletas psicológicas. E em busca do “conforto” dado pelas tais muletas é que tantas pessoas, entre outras coisas, burlam receituários para conseguir calmantes e estimulantes, etc. O “prazer” da vida sentido num êxtase... Além de se arriscarem em pontos de vendas de drogas. Assim como as pessoas metralhadas no ano passado na favela João de Barros e que foram notícia de jornal.
É preciso que entendamos o evento a partir de observações antropológicas, históricas, sociais e psicológicas. Afinal, são adultos e idosos – inclusive crianças – consumindo drogas de diferentes tipos lícitos e ilícitos. E ao buscarem o alento em suas muletas, nem se dão conta que estão fomentando a prática do tráfico de entorpecentes e toda uma rede criminosa que envolve traficantes, policiais, políticos, personalidades e a sociedade de um modo geral, como os jovens de classe média, presos na semana passada vendendo drogas numa festa rave em Candeias. Pensa-se que a vida é uma droga: usar tais muletas pode sair bem mais caro do que se imagina. O vigilante e a advogada, então namorada dele, e que segundo as primeiras investigações policiais, na ocasião tentavam comprar maconha na favela João de Barros, não para traficar e sim consumir, bem como os jovens recolhidos ao Cotel, pagaram um preço altíssimo.
Nem luxo, nem lixo
Numa de minhas caminhadas costumeiras, desta vez ao Morro Ferrabraz, tive uma surpresa. Em seguida, uma constatação: o Morro, suas encostas e acessos estão sendo usados como depósitos de lixo. Pior, a sujeira não está concentrada em pontos isolados - que seria mais fácil de ser retirada - a área está simplesmente minada. O lixo visto é praticamente todo reciclável, mas, jogado no meio ambiente, alguns itens podem levar até quinhentos anos para desaparecerem. Tenha certeza, pelas amostras retiradas, é percebível que, várias já estavam lá há muito tempo.
Trezentos metros, ou, uns dois minutos de caminhada aproximadamente - após decidirmos literalmente dar uma mãozinha pela paisagem - já havíamos recolhido três sacolas lotadas. São garrafas plásticas (a maioria de refrigerantes), latas novas e enferrujadas, sacos plásticos de diversos tamanhos, embalagens de vidro, de produtos químicos, etc.
Os depreciadores não se limitam a jogar embalagens. É possível encontrar também utensílios domésticos como sofá, tapete, balde, vassoura, cadeira, panela... Tudo somado ao lixo orgânico, que também faz parte desta extensa lista, e, mesmo sendo biodegradável, fede e prolifera doenças. O material orgânico é um indício, e prova que a prática é habitual. Não pense que é exagero. Se for, é melhor alarmar agora, que pagar um preço mais alto futuramente. A quantidade de lixo é grande - principalmente se aglomerada. Todavia, a falta de respeito, conscientização e responsabilidade, são ainda maiores. No entanto, o que parece ser pequena é a vontade e a competência para resolver um problema que se acumula em silêncio, ou quase.
Sabe-se que a coleta existe, porém, ineficaz. Não só pela falta de infra-estrutura, mas, também, pela reincidência dos vândalos. Da maneira como está espalhado e numeroso, o lixo parece surgir da natureza. Não obstante, sabemos que ele brota da ignorância, da falta de educação, de estrutura básica que alicerça os princípios da cidadania. Ele nasce do descaso, do desinteresse, da irresponsabilidade daqueles que se dizem responsáveis. Soluções existem, mas, essas, ficam atravancadas por outras prioridades que dão mais voto e, que evitam gastos adicionais.
Em 2004, ano eleitoral para prefeitos e vereadores, em que os interesses se ampliam, daí virão, quem sabe, campanha de conscientização e, até, uma coleta mutirão feita pela limpeza urbana. São apenas dois anos. Até lá, vou continuar fazendo a minha parte, denunciando o descaso e praticando a caminhada ecológica. Retirando da natureza, de sacola em sacola, o que o homem com a estupidez colocou, e com o descaso esqueceu.
PUBLICADO EM 2003 NO JORNAL DE SAPIRANGA/RS
Trezentos metros, ou, uns dois minutos de caminhada aproximadamente - após decidirmos literalmente dar uma mãozinha pela paisagem - já havíamos recolhido três sacolas lotadas. São garrafas plásticas (a maioria de refrigerantes), latas novas e enferrujadas, sacos plásticos de diversos tamanhos, embalagens de vidro, de produtos químicos, etc.
Os depreciadores não se limitam a jogar embalagens. É possível encontrar também utensílios domésticos como sofá, tapete, balde, vassoura, cadeira, panela... Tudo somado ao lixo orgânico, que também faz parte desta extensa lista, e, mesmo sendo biodegradável, fede e prolifera doenças. O material orgânico é um indício, e prova que a prática é habitual. Não pense que é exagero. Se for, é melhor alarmar agora, que pagar um preço mais alto futuramente. A quantidade de lixo é grande - principalmente se aglomerada. Todavia, a falta de respeito, conscientização e responsabilidade, são ainda maiores. No entanto, o que parece ser pequena é a vontade e a competência para resolver um problema que se acumula em silêncio, ou quase.
Sabe-se que a coleta existe, porém, ineficaz. Não só pela falta de infra-estrutura, mas, também, pela reincidência dos vândalos. Da maneira como está espalhado e numeroso, o lixo parece surgir da natureza. Não obstante, sabemos que ele brota da ignorância, da falta de educação, de estrutura básica que alicerça os princípios da cidadania. Ele nasce do descaso, do desinteresse, da irresponsabilidade daqueles que se dizem responsáveis. Soluções existem, mas, essas, ficam atravancadas por outras prioridades que dão mais voto e, que evitam gastos adicionais.
Em 2004, ano eleitoral para prefeitos e vereadores, em que os interesses se ampliam, daí virão, quem sabe, campanha de conscientização e, até, uma coleta mutirão feita pela limpeza urbana. São apenas dois anos. Até lá, vou continuar fazendo a minha parte, denunciando o descaso e praticando a caminhada ecológica. Retirando da natureza, de sacola em sacola, o que o homem com a estupidez colocou, e com o descaso esqueceu.
PUBLICADO EM 2003 NO JORNAL DE SAPIRANGA/RS
Futebol de A a Z
Existe um ditado popular que diz: “só se colhe o que se planta”. Outro também bastante conhecido afirma que: “aqui se faz, aqui se paga”. É verdade que são “teorias” populares; concepções gerais, mais ou menos racionais, acerca dos desdobramentos do cotidiano, sejam eles individuais ou coletivos. Contudo, apesar de não estarem calcadas em observações científicas, a interpretação da semântica dessas frases se valida na observação empírica do dia-a-dia. Fazendo uma analogia entre essas quase verdades e a atual situação do Santa Cruz Futebol Clube de Pernambuco, percebe-se que as idéias-chave que fundamentam a filosofia de rua merecem certo reconhecimento.
Pois quem conhece a história de perto, ou melhor, de dentro das instalações do tricolor do Arruda sabe muito bem que o momento vergonhoso em que vive o clube (aliás, o crédulo torcedor é quem realmente sofre e passa ridículo) é o resultado das gestões incompetentes, quando não inoperantes, dos vários vampiros que dirigiram e ainda dirigem esse Poseidon (grande e de ponta à cabeça) chamado de cobra coral. Tenho um irmão que foi técnico da escolinha de futebol do Santa Cruz e acompanhou um pequeno trecho dessa história triste e revoltante para quem gosta do esporte e do Santinha. Hoje mais santinha do que nunca. Naquela época, começo da década de 90 ele pode ver as dificuldades que os garotos que sonhavam em ser jogadores de futebol tinham. Não recebiam nenhum apoio dos dirigentes. Nem passagem de ônibus para irem aos treinos, nem chuteira, meões, short, tampouco, alimentação. O campinho era de areia e num terreno perto do canal, lá do outro lado. Esse exemplo é só – com permissão do clichê – a ponta do iceberg das mazelas do clube como um todo. Até porque os problemas não se resumem ao futebol. Toda a estrutura (administrativa, física, técnica, tática, filosófica, moral, etc.) precisa passar por reformas profundas. O descaso com as categorias de base em todas as modalidades se reflete no nível profissional. A falta de vergonha na cara e a ganância dos falsos messias que toda vez prometem mudar o cenário caótico do Santa e nunca cumprem se estampa com o vexame da terceira divisão. É claro que outros times ditos tradicionais já sentiram isso na pele. Mas no caso do tricolor pernambucano tratou-se de uma crônica anunciada. Se os chupa-sangues investissem os recursos do clube com equanimidade e respeito, e não ficassem ouriçados para lucrarem (o mais rápido possível, ainda que bem menos do que se poderia) com negócios pífios e duvidosos, vendendo os atletas que despontam, talvez, não estivéssemos desse jeito. Foi assim em 2006 quando o clube subiu para a 1ª Divisão do Brasileirão e logo os cartolas decidiram desmontar o grupo. Então, contrataram jogadores de terceira categoria – sem querer crucificar nenhum deles – e o resultado da equação está aí pra todo mundo ver, reclamar, lamentar, chorar... Há os que vão rir...
A ridiculeza já se mostrou naquela patética volta olímpica em comemoração ao título que não veio em virtude da derrota do Náutico para o Grêmio, que se sagrou campeão da série B no ano passado. E agora atinge o apogeu na apelação do presidente Edson Nogueira. Que afirma ter documentos que comprovariam a manipulação de resultados em partidas e que o suposto dossiê evitaria a queda para a série C. “Esse dossiê vai estremecer o Brasil”, disse o dirigente. Para mim, o que vai continuar estremecendo são as arquibancadas do Arrudão. Porque acredito que o torcedor tricolor, mesmo desapontado, não vai abandonar o clube por causa dos abutres fisiologistas que insistem em habitar as dependências administrativas do Santa Cruz para usurparem o dinheiro, a alegria alheia e construir uma trajetória de fracassos. A propósito: existe série Z do campeonato brasileiro?
Pois quem conhece a história de perto, ou melhor, de dentro das instalações do tricolor do Arruda sabe muito bem que o momento vergonhoso em que vive o clube (aliás, o crédulo torcedor é quem realmente sofre e passa ridículo) é o resultado das gestões incompetentes, quando não inoperantes, dos vários vampiros que dirigiram e ainda dirigem esse Poseidon (grande e de ponta à cabeça) chamado de cobra coral. Tenho um irmão que foi técnico da escolinha de futebol do Santa Cruz e acompanhou um pequeno trecho dessa história triste e revoltante para quem gosta do esporte e do Santinha. Hoje mais santinha do que nunca. Naquela época, começo da década de 90 ele pode ver as dificuldades que os garotos que sonhavam em ser jogadores de futebol tinham. Não recebiam nenhum apoio dos dirigentes. Nem passagem de ônibus para irem aos treinos, nem chuteira, meões, short, tampouco, alimentação. O campinho era de areia e num terreno perto do canal, lá do outro lado. Esse exemplo é só – com permissão do clichê – a ponta do iceberg das mazelas do clube como um todo. Até porque os problemas não se resumem ao futebol. Toda a estrutura (administrativa, física, técnica, tática, filosófica, moral, etc.) precisa passar por reformas profundas. O descaso com as categorias de base em todas as modalidades se reflete no nível profissional. A falta de vergonha na cara e a ganância dos falsos messias que toda vez prometem mudar o cenário caótico do Santa e nunca cumprem se estampa com o vexame da terceira divisão. É claro que outros times ditos tradicionais já sentiram isso na pele. Mas no caso do tricolor pernambucano tratou-se de uma crônica anunciada. Se os chupa-sangues investissem os recursos do clube com equanimidade e respeito, e não ficassem ouriçados para lucrarem (o mais rápido possível, ainda que bem menos do que se poderia) com negócios pífios e duvidosos, vendendo os atletas que despontam, talvez, não estivéssemos desse jeito. Foi assim em 2006 quando o clube subiu para a 1ª Divisão do Brasileirão e logo os cartolas decidiram desmontar o grupo. Então, contrataram jogadores de terceira categoria – sem querer crucificar nenhum deles – e o resultado da equação está aí pra todo mundo ver, reclamar, lamentar, chorar... Há os que vão rir...
A ridiculeza já se mostrou naquela patética volta olímpica em comemoração ao título que não veio em virtude da derrota do Náutico para o Grêmio, que se sagrou campeão da série B no ano passado. E agora atinge o apogeu na apelação do presidente Edson Nogueira. Que afirma ter documentos que comprovariam a manipulação de resultados em partidas e que o suposto dossiê evitaria a queda para a série C. “Esse dossiê vai estremecer o Brasil”, disse o dirigente. Para mim, o que vai continuar estremecendo são as arquibancadas do Arrudão. Porque acredito que o torcedor tricolor, mesmo desapontado, não vai abandonar o clube por causa dos abutres fisiologistas que insistem em habitar as dependências administrativas do Santa Cruz para usurparem o dinheiro, a alegria alheia e construir uma trajetória de fracassos. A propósito: existe série Z do campeonato brasileiro?
Ideologia de alta definição
Há bastante tempo, certamente mais de 25 anos, as válvulas dos televisores “esfriaram-se”. Nada mais era do que o reflexo do aquecimento veloz dos avanços tecnológicos. Naquela época, quando se ligava o televisor, havia uma espera enorme para a obtenção da imagem. E o nível de qualidade encontrava-se limitadíssimo quando comparado aos aparelhos fabricados atualmente. Não obstante, era o que tínhamos e que deixara muita gente de boca aberta. Com a invenção dos transistores as velhas válvulas foram aposentadas. Os pequenos sucessores ganharam status, aprimoramento tecnológico, e “transformaram-se” em chips.
Todavia, o que ontem era novo hoje já não o é. Agora se ouve falar em televisor de plasma, palm-tops, MP4, entre outros que são demonstrações visíveis desse avanço. Adentramos a era digital. Chegamos à era do Informacionalismo, como defende tão sabiamente Manuel Castells.
Sem querer me aprofundar no mérito técnico (até por falta de propriedade minha), grosso modo, a digitalização nos campos tecnológicos trouxe uma precisão, até então, inimaginável se nós voltarmos lá para época das válvulas. Novas tecnologias de comunicação como a Internet e Vídeo-conferência são exemplos já bem conhecidos. Entretanto, o supra-sumo do momento é a Televisão de Alta Definição, HDTV, ou, simplesmente, Tevê Digital.
Uma das grandes diferenças para o sistema televisivo analógico está nas inúmeras possibilidades técnicas de organização e difusão da programação. Ganha muitíssimo em qualidade de imagem e som. Um conversor – ainda sem preço definido – deverá ser instalado nos televisores para habilitá-los a receberem o sinal digital, que chega sem maiores percalços onde houver um televisor ligado. Sem contar que o sistema é mais flexível e compatível com vários meios de transmissão, como o satélite e o cabo. Especialistas prevêem num futuro próximo uma conjunção de mídias convivendo na telinha, inclusive, a Internet.
Estaríamos presenciando o triunfo das indústrias culturais? Hokheimer e Marcuse consideram a cultura dos meios de comunicação de massa como uma cultura puramente industrializada. A Aldeia Global de Mc Luhan mostra de vez as suas armas. Vale dizer que ela não trouxe consigo aqueles pressupostos alegóricos do visionário que afirmava que os mass media reduziriam a zero as ameaças de conflitos bélicos, acabariam com a divisão entre militares e civis e fariam progredir a passos largos, todos os territórios não-industrializados. Tudo em nome de uma cultura homogeneizada. Graças ao poder que a televisão possui de mobilizar o sentido das audiências.
Mas por que tanta obsessão em melhorar e ampliar cada vez mais a qualidade e a capacidade da transmissão? Ora, na Era da informação, sociedade e economia, é preciso que se promova e que se deixe circular livremente o fluxo de informações, de pessoas e de bens em nível global. Isso fica evidente quando fenômenos a exemplo a Internet surgem como ambientes virtuais para todos os tipos de relações, principalmente, as comerciais. Nesse sentido, não há nada no planeta que possa servir mais de vitrine para anunciar produtos, estimular a cultura comercial e perpetuar a sociedade de consumo do que a televisão. E se não podemos fazer muito diante dos efeitos globalizantes provocados pela internacionalização da comunicação e o conjunto de diferentes transformações na ordem econômica, política, social, tecnológica, cultural, religiosa e educativa que vem ocorrendo nos últimos anos; ao menos abramos espaço para que novas discussões possam trazer à tona, constantemente – nos mais variados espaços além do acadêmico – críticas construtivas sobre a complexa relação entre os meios de comunicação de massa regidos pela lógica do capital; informação e cultura como bens de consumo; e seus desdobramentos sociais e antropológicos. Não nos deixemos alienar ainda mais. Pois agora, as elites que detêm o comando da mídia apresentam a Tevê digital. Um incrível veículo movido por uma Ideologia de Alta Definição.
PUBLICADO EM DEZEMBRO DE 2007 NO JORNAL DE IDÉIAS (RECIFE/PE)
Todavia, o que ontem era novo hoje já não o é. Agora se ouve falar em televisor de plasma, palm-tops, MP4, entre outros que são demonstrações visíveis desse avanço. Adentramos a era digital. Chegamos à era do Informacionalismo, como defende tão sabiamente Manuel Castells.
Sem querer me aprofundar no mérito técnico (até por falta de propriedade minha), grosso modo, a digitalização nos campos tecnológicos trouxe uma precisão, até então, inimaginável se nós voltarmos lá para época das válvulas. Novas tecnologias de comunicação como a Internet e Vídeo-conferência são exemplos já bem conhecidos. Entretanto, o supra-sumo do momento é a Televisão de Alta Definição, HDTV, ou, simplesmente, Tevê Digital.
Uma das grandes diferenças para o sistema televisivo analógico está nas inúmeras possibilidades técnicas de organização e difusão da programação. Ganha muitíssimo em qualidade de imagem e som. Um conversor – ainda sem preço definido – deverá ser instalado nos televisores para habilitá-los a receberem o sinal digital, que chega sem maiores percalços onde houver um televisor ligado. Sem contar que o sistema é mais flexível e compatível com vários meios de transmissão, como o satélite e o cabo. Especialistas prevêem num futuro próximo uma conjunção de mídias convivendo na telinha, inclusive, a Internet.
Estaríamos presenciando o triunfo das indústrias culturais? Hokheimer e Marcuse consideram a cultura dos meios de comunicação de massa como uma cultura puramente industrializada. A Aldeia Global de Mc Luhan mostra de vez as suas armas. Vale dizer que ela não trouxe consigo aqueles pressupostos alegóricos do visionário que afirmava que os mass media reduziriam a zero as ameaças de conflitos bélicos, acabariam com a divisão entre militares e civis e fariam progredir a passos largos, todos os territórios não-industrializados. Tudo em nome de uma cultura homogeneizada. Graças ao poder que a televisão possui de mobilizar o sentido das audiências.
Mas por que tanta obsessão em melhorar e ampliar cada vez mais a qualidade e a capacidade da transmissão? Ora, na Era da informação, sociedade e economia, é preciso que se promova e que se deixe circular livremente o fluxo de informações, de pessoas e de bens em nível global. Isso fica evidente quando fenômenos a exemplo a Internet surgem como ambientes virtuais para todos os tipos de relações, principalmente, as comerciais. Nesse sentido, não há nada no planeta que possa servir mais de vitrine para anunciar produtos, estimular a cultura comercial e perpetuar a sociedade de consumo do que a televisão. E se não podemos fazer muito diante dos efeitos globalizantes provocados pela internacionalização da comunicação e o conjunto de diferentes transformações na ordem econômica, política, social, tecnológica, cultural, religiosa e educativa que vem ocorrendo nos últimos anos; ao menos abramos espaço para que novas discussões possam trazer à tona, constantemente – nos mais variados espaços além do acadêmico – críticas construtivas sobre a complexa relação entre os meios de comunicação de massa regidos pela lógica do capital; informação e cultura como bens de consumo; e seus desdobramentos sociais e antropológicos. Não nos deixemos alienar ainda mais. Pois agora, as elites que detêm o comando da mídia apresentam a Tevê digital. Um incrível veículo movido por uma Ideologia de Alta Definição.
PUBLICADO EM DEZEMBRO DE 2007 NO JORNAL DE IDÉIAS (RECIFE/PE)
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