terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nem luxo, nem lixo

Numa de minhas caminhadas costumeiras, desta vez ao Morro Ferrabraz, tive uma surpresa. Em seguida, uma constatação: o Morro, suas encostas e acessos estão sendo usados como depósitos de lixo. Pior, a sujeira não está concentrada em pontos isolados - que seria mais fácil de ser retirada - a área está simplesmente minada. O lixo visto é praticamente todo reciclável, mas, jogado no meio ambiente, alguns itens podem levar até quinhentos anos para desaparecerem. Tenha certeza, pelas amostras retiradas, é percebível que, várias já estavam lá há muito tempo.
Trezentos metros, ou, uns dois minutos de caminhada aproximadamente - após decidirmos literalmente dar uma mãozinha pela paisagem - já havíamos recolhido três sacolas lotadas. São garrafas plásticas (a maioria de refrigerantes), latas novas e enferrujadas, sacos plásticos de diversos tamanhos, embalagens de vidro, de produtos químicos, etc.
Os depreciadores não se limitam a jogar embalagens. É possível encontrar também utensílios domésticos como sofá, tapete, balde, vassoura, cadeira, panela... Tudo somado ao lixo orgânico, que também faz parte desta extensa lista, e, mesmo sendo biodegradável, fede e prolifera doenças. O material orgânico é um indício, e prova que a prática é habitual. Não pense que é exagero. Se for, é melhor alarmar agora, que pagar um preço mais alto futuramente. A quantidade de lixo é grande - principalmente se aglomerada. Todavia, a falta de respeito, conscientização e responsabilidade, são ainda maiores. No entanto, o que parece ser pequena é a vontade e a competência para resolver um problema que se acumula em silêncio, ou quase.
Sabe-se que a coleta existe, porém, ineficaz. Não só pela falta de infra-estrutura, mas, também, pela reincidência dos vândalos. Da maneira como está espalhado e numeroso, o lixo parece surgir da natureza. Não obstante, sabemos que ele brota da ignorância, da falta de educação, de estrutura básica que alicerça os princípios da cidadania. Ele nasce do descaso, do desinteresse, da irresponsabilidade daqueles que se dizem responsáveis. Soluções existem, mas, essas, ficam atravancadas por outras prioridades que dão mais voto e, que evitam gastos adicionais.
Em 2004, ano eleitoral para prefeitos e vereadores, em que os interesses se ampliam, daí virão, quem sabe, campanha de conscientização e, até, uma coleta mutirão feita pela limpeza urbana. São apenas dois anos. Até lá, vou continuar fazendo a minha parte, denunciando o descaso e praticando a caminhada ecológica. Retirando da natureza, de sacola em sacola, o que o homem com a estupidez colocou, e com o descaso esqueceu.


PUBLICADO EM 2003 NO JORNAL DE SAPIRANGA/RS

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